Histórias do Brasil,
dezembro de 2025
Curadoria de Carollina Lauriano
Em 10 de março de 2008, foi promulgada a Lei nº 11.645, que instituiu a obrigatoriedade do ensino das histórias e culturas afro-brasileiras e indígenas nas escolas públicas e privadas do Brasil. A aplicação dessa lei representa uma proposta de ruptura com o padrão predominante nos currículos, apontando caminhos para que a história possa ser apresentada por uma outra perspectiva, que não se baseie somente na história oficializada e sua abordagem eurocêntrica.
Mesmo após essas conquistas legislativas, percebemos que ainda há insuficiência significativa nos debates promovidos, principalmente no que se refere à reprodução de estereótipos e generalizações a respeito dessas culturas.
O aprendizado parcial e/ou incompleto sobre nossa própria história foi absorvido pelas escolas e, por consequência, pela sociedade. Assim, esses discursos vigoram até hoje, através da colonialidade do poder e do saber. Tal colonialidade se propaga por meio das escolas, dos currículos, dos livros didáticos e, de modo geral, no nosso cotidiano, enquanto país que ainda precisa lidar com a colonialidade em curso como consequência do colonialismo.
É na tentativa de suprir essas lacunas de conteúdo que essas exposições se desenvolvem. Já que ainda enfrentamos dificuldade em apresentar a história em uma perspectiva decolonial, trataremos de temas importantes para repensar a História do Brasil, desde a chegada dos portugueses até os dias atuais. Essa discussão se dará no formato de tres exposições multilinguagens, com o intuito de nos levar a refletir sobre a maneira como a história nos foi contada e como as imagens apresentadas a nós ao longo do tempo se tornaram decisivas para a construção de um imaginário equivocado.
Além disso, as exposições nos instigarão a pensar como a arte e a cultura têm um papel fundamental de apresentar uma contranarrativa, ao oferecer novas leituras que questionam tais imagens. Assim, ese conjunto de obras de arte se apresentam como uma ferramenta importante no despertar do senso crítico – um gesto capaz de promover profundas mudanças individuais e coletivas na nossa sociedade.
